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20/07/2018 - Fim da desoneração da folha deverá enfraquecer a retomada da hotelaria


A medida, que entra em vigor em setembro e eleva alíquota de imposto de 4,5% para 20%, poderá desencadear demissões desde já e pressionará principalmente redes de pequeno e médio porte

O fim da desoneração da folha de pagamento, que deve entrar em vigor em setembro, pode retardar a retomada da hotelaria. Agora, a projeção é novos investimentos tenham que esperar, enquanto formas de contratação trazidas pela reforma trabalhista comecem a ser mais utilizadas.

Com a nova regra, a indústria de hospedagem terá um aumento na alíquota de imposto sobre a folha salarial de 4,5% para 20%. “Não entramos no mérito se devia ou não ser feita a reoneração, porque existe um cenário fiscal. O problema é que se tinha um momento ruim para que isso ocorresse é agora”, comenta o presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), Orlando de Souza.

De acordo com ele, a mudança ocorre em meio à “tempestade perfeita” no setor: com taxas de ocupação e diárias médias aquém do período pré-crise. “Caíram em 2015 e 2016 e apenas no final do segundo semestre do ano passado começou subir, mas muitos ainda devem estar com dificuldades enormes.”

Mesmo com uma melhora na ocupação, ele destaca que as diárias médias ainda não tiveram recuperação, já que muitas tarifas são negociadas em contrato com empresas e operadores de turismo.

Impacto

Nem todos os hotéis optavam pela desoneração, mas a maioria sim, segundo o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio. Entre os empreendimentos que podem não ter optado pela medida estão pousadas de alto luxo, condo-hotéis ou aparthotel com administradora. “Mas a grande maioria deve sentir um forte impacto”, explica Sampaio.

Na outra ponta, o segmento que mais deve sentir o fim da desoneração é o de resorts, que é intensivo em mão de obra e tem cerca de 1,8 funcionário por quarto. “Quem tiver mais de um funcionário por quarto deve sofrer mais”. O diretor executivo do grupo Ferrasa, Sergio Ney, acrescenta que pequenas e médias empresas que também tinham desoneração devem sentir bastante. “Neste caso, a folha às vezes tem uma participação maior dentro dos custos totais”, destaca. No grupo, a desoneração deixou de ser utilizada após alta de alíquota.

Por isso, o CEO da Atrio Hotéis, Paulo Roberto Caputo, deixa um contraponto. Em sua opinião o impacto da medida será mais localizada . “Quando houve aumento da alíquota no final de 2015 deixou de ser interessante para muitos hotéis.” Mesmo assim, uma estratégia que deve ser utilizada para contornar a situação é a mão de obra intermitente, sobretudo em locais onde há uma maior sazonalidade.

Por isso, segundo Sampaio da FBHA, a reforma trabalhista é uma saída. “É possível que muitos demitam e contratem outros funcionários autônomos, terceirizados e intermitentes.

Ou até por um valor mais baixo e paguem o restante como bônus, que agora é possível”, explica. Isso, no entanto, ainda não é a solução ideal, aponta o Souza do Fohb. “A reforma ainda tem muita discussão e não está consolidada. Pode ser um risco que algo mude posteriormente”, complementa.

Outras opções apontadas por ele são a redução de custos ou a revisão dos planos de investimento. “Tem como recorrer à redução de custo, mas se não houver mais onde cortar, investimentos, reformas e contratações que estavam previstas talvez precisem ficar para depois”, analisa. Independente da opção, Sampaio, da FBHA, destaca que as mudanças no meio do ano devem fazer com que demissões em grande volume já comecem desde agora.

“Essa será nossa última opção”, argumenta o controller do Wyndham Garden Convention Nortel, Charles Nascimento. Segundo ele, a folha de pagamento representa entre 25% e 35% da operação, mas enxugar custos será a saída do hotel. “Vai ser um desafio. As diárias médias não podem ser elevadas para não perder competitividade e os custos aumentaram em 20% nos últimos anos”, explica.

De acordo com ele, a reoneração da folha tende a ser benéfica apenas na baixa temporada, em cerca de três meses do ano. “No resto do ano não compensará. Hoje é melhor para nós se continuasse”, diz.

Fonte: Fenacon.org